HOMENAGEM A GAL COSTA E MUITA MPB, CONVERSAMOS COM RAFA NOLETO SOBRE O ÁLBUM “CANTOSITOR”

Situado em Pelotas (RS), o cantor, compositor e professor maranhense lançou o álbum de estreia intitulado “Cantositor” neste mês de abril. Convidamos o artista para bater um papo sobre o projeto, chega mais para conferir

De onde surgiu a ideia do nome do álbum Cantositor?

Rafa Noleto: Eu queria um nome para o álbum,um  nome que fosse diferente e um nome que contemplasse a minha trajetória, tanto artística como acadêmica. E aí eu me lembrei de um livro que eu adoro, chamado A Invenção da Cultura, e foi escrito pelo Roy Wagner, que é antropólogo. Nesse livro, resumindo muito aqui o debate dele, ele mostra como os antropólogos inventam coisas que já existem  porque a gente acaba estudando a cultura, as lutas sociais e políticas e isso tudo já faz parte da vida das pessoas. 

Então o Cantositor é uma palavra que já existia. Não sou a pessoa que criou essa palavra, não fui eu que inventei essa palavra, mas eu propus um conceito para essa palavra e eu propus fazer uma obra artística com essa palavra, eu diria que  eu propus uma invenção conceitual dessa palavra, trazendo um conceito e fazendo disso uma música, que é isso que os compositores fazem.

Quando foi o seu primeiro contato com composição?

Rafa Noleto: Eu compus “Musa” em 2008, mas eu comecei a compor muito antes disso, eu estudei, meu primeiro contato com a música foi através dos meus estudos de piano, estudei durante a minha adolescência e desde essa época eu sempre gostei de compor, sempre gostei de fazer e de exercitar a minha criatividade no instrumento  e sempre fui muito ligado à música popular.

Então fui compondo ao longo da vida, quando eu comecei a compor, já fui pensando profissionalmente em compor. Acho que isso foi em 2001, que foi quando eu comecei  a fazer faculdade de música.  E aí eu entendi que a música era o caminho que eu ia seguir profissionalmente, seja no campo artístico, como cantor, como compositor, seja também no campo acadêmico, que é algo que faz parte da minha vida.

Então, oficialmente, vamos dizer assim, eu componho desde 2001.  E aí, ao longo desses anos todos, eu fui acumulando várias canções e esse álbum é uma junção dessas canções que eu fiz ao longo desses anos todos. Mas essa minha vontade de compor vem desde a minha adolescência, desde muitos anos atrás. 

Quais são suas referências além de Gal Costa?

Rafa Noleto: Eu tenho muitas influências, se a gente for falar de voz, a influência da Gal é muito nítida. Mas Maria Bethânia, Elis Regina, Marisa Monte, Angela, Ro Ro, Joyce Moreno tem muitas influências de vozes femininas  que eu admiro. Ahn e compositoras também como Joyce Moreno que é uma compositora que me influencia muito. A Marina Lima também.  Eu tenho muita influência do Gil, do Caetano, do Djavan, do Tom Jobim, mas o Caetano também é um compositor que muito do que eu faço dialoga com ele. Inclusive, nas minhas composições eu faço referências sutis a músicas de Caetano, tentando fazer um diálogo entre as minhas canções e as canções dele,  como uma forma de homenagem também.

Como veio a ideia de trazer sonoridades da bossa nova, do samba rock e do bolero, são ritmos que você geralmente escuta?

Rafa Noleto: Eu sou um artista que tem  duas mãos, o corpo inteiro e a alma dentro da MPB. Eu sou um artista de MPB,  então samba, bolero, bossa nova, baião, forró,  todos esses ritmos que compõem esse imaginário do que é a música popular brasileira são ritmos que eu escuto desde criança. São os gêneros musicais que me fizeram querer cantar, que me fizeram querer compor. 

Então eu sou um cantor e compositor de MPB.  E os trabalhos que mais me interessam, são os trabalhos  que conseguem misturar  esses gêneros musicais que são tão tradicionais da nossa música brasileira  com referências sonoras. Sabe? De diversos lugares do mundo, com timbres eletrônicos, com guitarras, com sintetizadores, com efeitos na voz. Então  eu acho que quando a gente consegue fazer essa junção da música brasileira com  essas outras referências sonoras, eu acho que isso dá um resultado super interessante. 

Como foi o processo de produção do álbum?
Rafa Noleto: Eu diria que 80% das músicas desse álbum eram músicas que já existiam, que eu já tinha composto há muitos anos. Então eu fiz um olhar para esse repertório que eu já tinha guardado e fui escolhendo dentre esse repertório, as músicas que eu achava  que ainda tinham a ver com o Rafa, com o Rafa de hoje. 

Eu fiz uma parceria com o Bruno Chaves no sentido de produção. Eu fiz um processo de pré-produção onde eu mostrei pra ele e gravei tudo, voz e violão. Mostrei pra ele a ideia de cada música  e como eu queria transformar aquela música numa outra coisa.

Espera colocar o projeto “Cantositor” nos palcos? Fazer uma turnê ou apresentações pelo Brasil?

Rafa Noleto: O disco foi gravado aqui em Pelotas, no estúdio chamado Quarto Laranja, que a gente fez com um trio de jazz de guitarra, baixo e bateria.  Então a guitarra foi o Bruno Chaves, na bateria, foi o Gabriel Soares, o contrabaixo foi o Mini Ribeiro e o Bruno Chaves foi o produtor do disco. Estamos começando a ensaiar,  produzir aqueles arranjos todos que a gente fez no estúdio pro palco. 

Eu quero  fazer em breve  um show aqui em Pelotas, quero levar isso para Porto Alegre também. E aí abrir as portas para levar e levá-los para outros lugares. Agora, a questão é que tudo o que eu faço tem que ter muito planejamento, porque eu sou professor universitário e preciso conciliar com essa outra profissão também.

O álbum Cantositor de Rafa Noleto está disponível em todas as plataformas de música. Clique aqui para conferir